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Archive for the ‘Leite materno’ Category

Foto Alex Grey (Nursing)

A Anemia ferropriva é rara em bebês que recebem apenas leite materno nos primeiros 6 a 8 meses de vida, sem adição de outros liquidos ou substitutos.

Segundo pesquisadores da Organização Mundial de Saúde (OMS), bebês sadios nascidos de mães bem nutridas possuem reserva hepática de ferro suficiente para atender suas necessidades até próximo ao primeiro ano de vida.

Porém, a introdução precoce de outros alimentos ou liquidos  a bebês amamentados pode alterar esse quadro, prejudicando a composição do leite materno, em especial a  ação da lactoferrina. O resultado: anemia ferropriva.

Os niveis baixos de ferro no sangue são a principal causa de anemia ferropriva, mas não a única.

O que é lactoferrina do leite materno?

Lactoferrina é um antibiótico natural, presente no leite de todos os mamiferos.

O colostro é riquissimo nessa proteina, que tem suas quantidades diminuídas gradativamente conforme o bebê cresce.

Além de sua ação como antibiótico, a lactoferrina retém íons de ferro, impedindo que sejam sequestrados por bactérias nocivas que porventura possam atingir o bebê.

A suplementação artifical de ferro para bebês amamentados exclusivamente pode ocasionar em elevação desnecessária dos niveis de ferro. Para muitas pessoas, isso parece bom… mas não é bem assim que funciona.

Esse aumento de ferro  devido a suplementação não acompanha a produção natural da lactoferrina, fazendo com que a mesma sature, quer dizer, não há lactoferrina suficiente no leite materno para dar conta de tanto ferro exógeno (vindo de fora).

Além de prejudicar o funcionamento normal do metabolismo do ferro, a suplementação inadequada ao bebê amamentado pode comprometer sua ação como fator de proteção.

Ferro também é essencial para que micro-organismos nocivos se proliferem no organismo humano.

Por sua vez, esses patógenos causam microscópicas lesões na parede intestinal, provocando sangramentos microscópicos que ocasionam em anemia ferropriva.

A suplementação com ferro medicamentoso pode, ainda, reduzir a absorção de zinco e cobre, importantes para o complexo metabolismo do ferro em bebês.

Para que essa absorção de ferro seja otimizada, são importantes a presença de quantidades adequadas de zinco, cobre e lactoferrina, além de baixa acidez do organismo.

Quase 70% do ferro do leite materno é absorvido adequadamente pelo bebê, devido ao leite materno ser alcalino, diferentemente do leite artificial. O ferro do leite de vaca é absorvido em até 30% do conteúdo ingerido.

Para compensar a baixa biodisponibilidade do ferro de fórmulas e leites artificiais, grandes quantidades do mineral são adicionadas aos produtos, o que, consequentemente, favorece o desenvolvimento de bactérias intestinais patogênicas , micro-hemorragias intestinais e desnutrição, tanto quanto o ferro medicamentoso (WHO,1989).

Já o leite materno possui bactérias benéficas que atuam no fortalecimento da imunidade, assim como outros fatores de proteção que otimizam toda a capacidade de absorção de ferro e outros nutrientes pelo bebê.

Conforme a OMS, “embora existam indicações para suplementação de ferro em bebês, tais como risco populacional de anemia ferropriva, prematuridade e perda neonatal considerável de sangue, essa suplementação não é sem riscos”, pois altera toda fisiologia do lactente.

Fonte

¹Infant feeding : the physiological basis – James Akré. Disponível em:Bulletin of the World Health Organization ; v. 67. Supplement.World Health Organization, Geneva.

² Efeito protetor da lactoferrina humana no trato gastrintestinal

³ Ferro e Infecções. Atualização

Foto: Alex Grey

Mais sobre alimentos ricos em ferro e anemia ferropriva, clique abaixo:

PARA COMBATER A ANEMIA: ALIMENTOS RICOS EM FERRO

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O ferro é um micromineral existente em todas as células sendo que 1/3 do ferro de nosso organismo fica armazenado no fígado, 1/3 na medula óssea e o restante no baço e em outros tecidos.

A absorção do ferro ocorre principalmente no duodeno (parte inicial do intestino delgado).

Alguns componentes de nossa alimentação podem aumentar a absorção do ferro pelo organismo (frutose, vitamina C) ou diminuir esta absorção (fosfatos, oxalatos, presentes em farelos de cereais e chá, cálcio presente no leite de vaca).

A perda natural de ferro pelo organismo ocorre através da descamação natural das células da mucosa do tubo digestivo. A ingestão de leite de vaca integral, ou fórmulas á base de LV,  por bebês menores de 1 ano,  pode provocar esse tipo de sangramento oculto.

Clique para ler o artigo: QUANDO FALTA O FERRO NA ALIMENTAÇÃO DAS CRIANÇAS

Nos meses de amamentação o leite materno é a principal fonte de ferro para o bebê.

Clique aqui para ler o artigo: LEITE MATERNO CONTRA A ANEMIA FERROPRIVA

O ferro do leite materno tem maior biodisponibilidade (absorção) do que o leite de vaca fazendo com que as crianças que mamam ao seio materno nos primeiros 06 meses de vida tenham reservas de ferro maiores do que os alimentados com leite de vaca.

Essa qualidade do leite materno de promover a absorção do ferro justifica o fato de este alimento ser suficiente para fornecer um balanço adequado do mineral nos primeiros seis meses de vida, sem a necessidade de ferro exógeno adicional (suplementação), salvo situações em que a criança, por condições de nascimento (prematuridade e baixo peso ao nascer) tem estoques orgânicos insuficientes do mineral.

A utilização de grandes quantidades de leite de vaca e a introdução precoce de dieta de desmame, bem como o desmame precoce, são fatores que poderiam levar ao desenvolvimento da anemia por volta do sexto mês de vida, uma vez que o leite de vaca, além de ser pobre em ferro, inibe a absorção deste mineral vindo de outros alimentos ingeridos em conjunto.

ALIMENTOS RICOS EM FERRO
Vou colocar alimentos diferenciados, que podem substituir as carnes, especialmente para vegetarianos, veganos e pessoas alérgicas á proteína animal.

O importante é buscar a melhor absorção desses alimentos consumindo em conjunto outros ricos em vitamina C, como as frutas em geral e também as verduras.

ALGAS

Um estudo recente analisou os níveis de nutrientes de uma variedade de algas e comparou a porções típicas (8g de alga seca) com a ingestão diária recomendada, e com alimentos comuns. A conclusão foi que:

As algas absorvem os minerais do mar, que é rico também em oligoelementos.

O cálcio e o ferro tendem a acumular-se em muito maior quantidade nas algas do que nas plantas terrestres.

Por exemplo, 8g de uma porção seca de kombu fornece mais cálcio do que um copo de leite, e uma porção de dulse contém mais ferro do que 100g de um bife do lombo de vaca (embora este não seja tão bem absorvido).
As algas também fornecem grande quantidade de iodo, que é essencial para a função da tireóide.

Outras fontes de ferro:

Quinoa 9,5mg (o amaranto deve ter algo parecido)

Feijões, lentilhas, ervilhas…

Coentro 81,4 mg

Agrião 3,1 mg

folha de Caruru 4,5 mg

Catalonha 3,1mg

Salsinha 3,2 mg

Melado 5,4mg

Azeitona preta 5,5mg

Linhaça 4,7mg

Fontes 

Comprovado! Panela de ferro afasta anemia

Ferro nas dietas vegetarians – Como melhorar a absorção do ferro não heme

Quinoa –  Rica em Cálcio, Ferro e aminoácidos essenciais

Beterraba tem ferro?

ALIMENTOS QUE PREJUDICAM A ABSORÇÃO DE FERRO

(Não devem ser ingeridos em conjunto com alimentos ricos no nutriente)

Leite de vaca e derivados
Castanhas e amêndoas
Clara do ovo
Compostos fenólicos (Refrigerantes, café, chás…)
Cereais integrais

O aleitamento materno exclusivo age como fator de proteção durante os 4– 6 primeiros meses de vida, pois apesar do conteúdo de ferro do leite materno ser baixo (0,26 a 0,73 mg/ml), ele tem alta biodisponibilidade, de tal forma que a sua utilização é elevada (cerca de 50%), compensando a baixa concentração do mesmo.

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