Segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças infecciosas matam mais crianças negras que brancas.
Como se não bastasse, o risco de uma criança negra morrer por desnutrição é 90% maior em relação às brancas.
E o risco de mortalidade antes dos 5 anos de vida, por algum tipo de parasitose, é 60% maior entre as crianças negras.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2006, revelaram que 31 milhões de brasileiros menores de 18 anos são negros ou indígenas. O termo “negro” corresponde aos que se autodeclaram pardos ou negros.
Apesar de maioria da população nessa faixa etária, não são agraciados por condições básicas que lhes garantam uma vida mais digna.
Meninas e meninos indígenas ou negros (as), figuram no ranking dos mais pobres entre os pobres brasileiros (63 % e 62%, respectivamente).
Essa desatenção se arrasta por alguns séculos, deixando um rastro de racismo ainda difícil de ser expurgado.
Às crianças negras, sempre restou a vontade de resistir, e sobreviver.
Se, hoje, os índices apontam essa população como a mais desprovida de educação, imagine em séculos passados, quando a igreja católica dominava o ensino no Brasil, recusando-se a receber negros em seus bancos escolares.
Com a Lei do Ventre Livre (1871), acreditou-se que algo mudaria para os pequenos desafortunados.
Entretanto, na prática, esta lei ou separava as crianças de seus pais, ainda escravos, ou fazia com que pagassem com trabalho sem remuneração, pela estadia e alimentação que recebiam.
O governo da época inaugurou abrigo para acolher estas crianças. De cada 100 que lá entravam, 80 morriam antes de completar 1 ano de idade.
Segundo, Joaquim Nabuco, em O Abolicionismo:
“[...] “Pela lei de 28 de setembro de 1871, a escravidão tem por limite a vida do escravo nascido na véspera da lei.
Mas essas águas mesmas não estão ainda estagnadas, porque a fonte do nascimento não foi cortada, e todos os anos mulheres escravas dão milhares de escravos por vinte e um anos aos seus senhores.
Por uma ficção de direito, eles nascem livres, mas, de fato, valem por lei aos oito anos de idade 600$000, cada um.
Essa é a lei, e o período de escravidão que ela ainda permite”.
FONTES
O abolicionismo – Joaquim Nabuco
Infância e adolescência no Brasil – site UNICEF
A não-infância: crianças como mão de obra em Mariana (1850/1890) – Heloísa Maria Teixeira
Negros: a face real da Lei Áurea – Frei David Santos/Educafro



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