Encontrei um artigo muito bom sobre Psicoembriologia. Eu já suspeitava que existisse algo do gênero, com base acadêmica e tudo o mais. E existe mesmo:
http://www.pesquisapsicologica.pro.br/pub01/daniele.htm
A psicoembriologia estuda o comportamento e desenvolvimento evolutivo e psico-afetivo-emocional do indivíduo antes do nascimento.
A falta de afeto no desenvolvimento psicológico ocasiona lesões na estrutura emocional do bebê, influenciando a sua personalidade pós-natal, conduta e comportamento.
Durante a gestação a mulher sofre uma série de mudanças emocionais e físicas.
O parto é a transição para a maternidade, considerado o evento mais temido. Técnicas de relaxamento e visualização diminuem o medo e tensão, que dão origem a dor. Por todas as mudanças e responsabilidades assumidas pela mulher na maternidade, algumas desenvolvem depressão pós-parto e/ou psicose puerperal, se fazendo necessário um tratamento psiquiátrico e psicoterápico.
Assistência psicológica a gestante e orientação familiar, poderá minimizar as ansiedades oriundas da gravidez, facilitando a interação da díade mãe-bebê e no puerpério ajuda a mulher no processo de reestruturação psíquica a nova identidade e reelaboração do bebê imaginário para receber o real.
A fase umbilical
O cordão umbilical é o meio pelo qual o bebê se alimenta (primeiro seio materno) e recebe as cargas emocionais da mãe e é através dele que surge a primeira interelação física entre os dois.
Qualquer alteração neuro-hormonal ou na pressão sanguínea da mãe devida alguma perturbação emocional, causa aumento de determinadas substâncias na corrente sanguínea que são levadas ao feto pelo cordão umbilical, agindo em seu estado emocional.
Nos casos de tristeza profunda, depressão ou melancolia, além de atingir o feto fisiologicamente, a mãe, por conta de seu estado psicológico, não se disponibiliza afetivamente para a criança, deixando-a sozinha.
[...]Os sintomas de náuseas e vômitos correspondem tanto a mudanças hormonais como a influência de fatores psicológicos. O fator psicogênico é aceito pela maioria dos autores nos casos de hiperemese gravídica (distúrbio caracterizado pela intensidade e freqüência dos vômitos). “Uma das teorias mais populares a respeito das náuseas e vômitos é a de que se devem à rejeição da gravidez.” (MALDONADO, 1996, p. 36). Não descartando a importância de outros fatores na sua etiologia.
É freqüente o aumento de apetite às vezes com extrema voracidade que para Maldonado (1996) corresponde a um mecanismo de autoproteção, onde a mãe tenta compensar as “perdas” de suas reservas sugadas sem parar pelo feto. Este fato também pode ser visto na amamentação.
[...] A voracidade pode também indicar a presença de sentimentos de hostilidade e desejos de destruir o feto encobertos por uma formação reativa de preocupação excessiva com o bom desenvolvimento fetal; ainda como manifestação da ambivalência, podem surgir sentimentos de culpa associados à impressão de não estar se alimentando de maneira adequada e, a partir daí, o medo de estar fazendo mal ao feto. (MALDONADO, 1996, p. 40).
Todos esses fatores se relacionam com o medo de que os próprios sentimentos de hostilidade e rejeição possam prejudicar o feto.
O aumento da sensibilidade na área do olfato, paladar e audição e o aumento da irritabilidade na área emocional está ligado as oscilações de humor que tem origem nas alterações do metabolismo e em grande parte, no esforço adaptativo da nova realidade de vida.
INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA
Boadella (1992) diz que a mulher relaxada e sem tensão consciente ou inconsciente, sofre influência do sistema nervoso parassimpático, onde as contrações não devem ser dolorosas, exceto quando o colo do útero chega ao seu máximo de extensão, perto do momento de expulsão.
Enquanto que a mãe tensa, estressada e com medo de sentir dor, é controlada pelo sistema simpático, responsável por situações de tensão e ansiedade, que responde a estes se contraindo e fechando a passagem.
Nos casos em que o parto é sentido como um evento doloroso pela mãe, provavelmente será desgastante para o bebê que ao invés de sentir as contrações como uma massagem que lhe dá prazer, vivencia essa experiência como esmagadora
Revista Eletrônica de Psicologia
Ano I Número 1/ Julho de 2007
Daniele Fernandes Peixoto
Centro de Estudos Superiores de Maceió/ CESMAC
Vera Christina de Oliveira Amorim
Faculdade de Ciências Humanas do CESMAC